Eu costumo gostar muito de mini e micro contos. Não tenho problemas com flexibilidades gramaticais com intenções literárias. E, por fim, aceito tranquilamente a presença do escatológico nas narrativas. No entanto, apesar de não ter barreiras para gostar do livro de Justum, ele não me cativou como leitora. Talvez tenha sido o horário da leitura, meu humor no dia, uma certa falta de paciência com uma série de histórias ruins que me tenha feito desprezar contos potencialmente bons... Ainda assim, não recomendaria. Um "Contos de amor rasgados", da Marina Colasanti, seria uma pedida muito melhor dentro do gênero.
Esse é um daqueles livros que de tão recomendados, citados, comentados, já parecem ter sido lidos antes mesmo da primeira virada de página. Tinha uma visão consolidada de que o tema desta obra eram os conselhos que um escritor pode passar a outro - e não imaginava que, antes de tudo, essas cartas são uma espécie de manual para a vida. Tão necessário, aliás. Rilke se ancora na literatura, mas passeia por caminhos diversos: a solidão, a escolha da mulher, as amizades, os valores morais de cada um... Como um mestre frente a seu discípulo, o escritor o guia pela mão através do mundo. Nem sempre os seus ensinamentos são indiscutíveis. Há material que sobra, existem conselhos deixados de fora. Mas, superando seus pequenos deslizes como filósofo, Rilke se apoia na força das palavras. Seu discurso é uma torrente que nos leva, com um vigor romântico contagiante. Trechos: Uma única coisa é necessária: a solidão. A grande solidão interior. Ir dentro de si e não encontrar ninguém durante h...
Eu gostei. Sobretudo porque há muitas vezes um jogo com o leitor que pode não ter entendido o que o autor disse realmente. E por ser tão eclético e pouco interessado em agradar, já que ironiza a sociedade, a religião, a política, as mulheres, os homens... E o próprio leitor. É como se ele não fizesse questão de ser lido, entendido ou gostado. Como se quisesse dialogar com um público bem específico apenas. Bem típico de quem escreve em parábolas. Quer conversar com algumas pessoas apenas.
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