Mais um livro de ilustrações do que um quadrinho propriamente dito, Soppy é o retrato da vida de um casal que começou a morar junto há pouco tempo. Não é nenhum grande clássico da literatura ou uma obra questionadora, com linguagem inventiva e nem nada similar. É uma história comum sobre um casal de classe média, branco, com privilégios e pequenos dilemas amorosos em seu dia a dia. É bobo, mas me identifiquei com tantas cenas que comecei a achar fofo. Ou sou eu que sou tão boba quanto o livro.
Esse é um daqueles livros que de tão recomendados, citados, comentados, já parecem ter sido lidos antes mesmo da primeira virada de página. Tinha uma visão consolidada de que o tema desta obra eram os conselhos que um escritor pode passar a outro - e não imaginava que, antes de tudo, essas cartas são uma espécie de manual para a vida. Tão necessário, aliás. Rilke se ancora na literatura, mas passeia por caminhos diversos: a solidão, a escolha da mulher, as amizades, os valores morais de cada um... Como um mestre frente a seu discípulo, o escritor o guia pela mão através do mundo. Nem sempre os seus ensinamentos são indiscutíveis. Há material que sobra, existem conselhos deixados de fora. Mas, superando seus pequenos deslizes como filósofo, Rilke se apoia na força das palavras. Seu discurso é uma torrente que nos leva, com um vigor romântico contagiante. Trechos: Uma única coisa é necessária: a solidão. A grande solidão interior. Ir dentro de si e não encontrar ninguém durante h...

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