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Sociedade dos poetas mortos (filme de 1989)

Perdi a conta de quantas vezes assisti a esse filme ainda na escola, que era um dos queridinhos dos professores de Língua Portuguesa. Ao reassisti-lo muitos anos depois (agora, na função de docente, e não mais de aluna) só pude entender e confirmar o amor de quem é de Letras por essa obra. Talvez não seja o filme perfeito, mas é um dos mais delicados ao trabalhar com a temática da poesia e dos significados e possibilidades que ela carrega.




Ademais, como professora, tive a impressão de que muito da filosofia do personagem John Keatings ficou gravado na minha memória - me identifiquei com muitas práticas que aplico nas minhas aulas, como a importância de desaprender, de negar fórmulas, de não acreditar em um resultado único para a interpretação de um texto.

Além do enredo que toca em questões fundamentais para a adolescência - o conflito de gerações, o encontro de uma vocação, as primeiras paixões, o suicídio - as atuações de Robin Williams e do jovem Ethan Hawke são marcantes.

Outro ponto a ser notado é o fato de, quase 30 anos depois, ainda ser uma obra tão revolucionária. As mesmas pessoas que usam excertos do filme em reuniões empresariais, reduzindo a mensagem do enredo a um otimismo superficial, são também aquelas que defendem ideias absurdas como a da Escola sem Partido, na qual o professor é um mero reprodutor de ideias alheias. John Keatings (e qualquer um que tente ser um bom professor) não sobrevivem em um contexto ditatorial, no qual a imposição de regras é mais importante que o debate de ideias. Há trinta anos, este filme já nos ensinou que ensino de qualidade não se faz com censura. Hipócritas são aqueles que defendem o contrário e ainda derramam umas lagriminhas durante a exibição da obra.







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