Nunca havia lido nada de Asterix e Obelix, e esperava um quadrinho bem pastelão, com piadas fáceis e sem muita reflexão. No entanto, meu julgamento pela capa se mostrou muito longe da realidade; ao menos no volume lido, pude me divertir com uma história cheia de trocadilhos linguísticos e uma mordaz ironia sobre como surgiram as relações capitalistas, além da crítica inerente aos poderosos da época romana, como Júlio César.
Esse é um daqueles livros que de tão recomendados, citados, comentados, já parecem ter sido lidos antes mesmo da primeira virada de página. Tinha uma visão consolidada de que o tema desta obra eram os conselhos que um escritor pode passar a outro - e não imaginava que, antes de tudo, essas cartas são uma espécie de manual para a vida. Tão necessário, aliás. Rilke se ancora na literatura, mas passeia por caminhos diversos: a solidão, a escolha da mulher, as amizades, os valores morais de cada um... Como um mestre frente a seu discípulo, o escritor o guia pela mão através do mundo. Nem sempre os seus ensinamentos são indiscutíveis. Há material que sobra, existem conselhos deixados de fora. Mas, superando seus pequenos deslizes como filósofo, Rilke se apoia na força das palavras. Seu discurso é uma torrente que nos leva, com um vigor romântico contagiante. Trechos: Uma única coisa é necessária: a solidão. A grande solidão interior. Ir dentro de si e não encontrar ninguém durante h...
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