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Coleção antiprincesas e anti-heróis: Eduardo Galeano, Julio Cortázar, Violeta Parra e Juana Azurduy

O que dizer dessa coleção, fruto da parceria de Nadia Fink e Pitu Saá? Que ela é um respiro de alívio em um mercado editorial de literatura infantojuvenil idiotizante, moralizante e cheia de tabus? Que cada livro é ilustrado com tamanha maestria que mereceria ser emoldurado? Que as histórias são contadas na medida certa, sem esconder a verdade das crianças, mas também sem causar choques desnecessários? Que, enfim, essas obras são só amor?




Juana Azurduy, desconhecida para mim, me foi apresentada por meio deste livrinho para chicos y chicas. E que orgulho conhecer a história de uma guerreira latino-americana, perita em armas e tão à frente de seu tempo!

Violeta Parra, por sua vez, é mostrada de forma a englobar algumas de suas várias facetas: a artista, a poeta, a cantora, a artesã... E seu suicídio, questão que não define quem ela foi e nem o seu valor, é sintetizado para as crianças de maneira muito sutil e bela: "¿Y qué pasó después con Violeta? Esa ya es otra historia... una que habrá que contar en otro cuento o que vas a tener que buscar en otros libros, en otras voces... Nosotros y nosotras nos quedamos acá siguiendo el rastro de esa Violeta que anda con la guitarra al hombro por los caminos perdidos de Chile".

O mundo de animais fantásticos de Cortázar torna a sua biografia extremamente cativante para crianças. Ademais, essa obra teve o cuidado de selecionar vários trechos de seus contos e romances para já ambientar e estimular a criança na leitura, perdendo o medo dos "clássicos" desde pequenininhos.

Por fim, o livro sobre Eduardo Galeano foi inspirado em uma entrevista que o autor concedeu a Nadia Fiuk, e, sendo assim, é o resgate de um encontro pautado pelas boas memórias e pelo afetivo. A ilustração de Pitu Saá para As veias abertas da América Latina é de chorar de tão linda.



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