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A mulher mais odiada da América (filme de 2017)

O título pomposo do filme é uma referência real à fama de Madalyn Murray O'Hair, fundadora da sociedade ateísta (American Atheists) nos Estados Unidos. Aliás, as pontes com a realidade não param por aí; a obra tem cunho biográfico e pretende resgatar um pouco da história desta figura verdadeiramente iconoclasta.

Narrada com flashbacks, a trama principal gira em torno do sequestro da protagonista por um de seus ex-funcionários. Por ser muito atrevida, desenvolta, a personagem por vezes nos faz esquecer que acompanhamos uma situação de encarceramento e violência - o que torna o desenlace muito surpreendente.

Como documento histórico, contudo, a narrativa tem falhas. Em uma busca rápida na internet, consegui desmentir muitas das informações veiculadas na trama. Houve uma espécie de edição dos fatos para que coubessem em um modelo de filme de 1h30, padrão Netflix. Ainda assim, é uma obra capaz de estimular a reflexão para além do binômio ateístas x cristãos.

Um dos pontos que mais me intrigou foi observar o quanto a fundação de uma sociedade ateísta milionária é tão questionável quanto os patrimônios e templos de qualquer igreja. Outro aspecto que causa espanto é descobrir que o filho de Madalyn se tornou um beato ferrenho, que quer trazer novamente a obrigatoriedade da religião para a escola. Por fim, não consegui identificar claramente quem é o interlocutor ideal deste longa. Ele parece não conversar nem com os ateístas (que veem um ícone pessoal retratado de maneira simplista) e nem com os religiosos (pela abordagem do tema da imposição religiosa). Ademais, o final trágico de Murray pode ser lido, pelos desavisados, como "um sinal do deus vingativo". Enfim, é um filme com propósitos escusos, para ser visto com cuidado.




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