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Feios, sujos e malvados (filme de 1976)

A comédia é a tragédia vista um pouco depois - com o filtro do tempo, quase todas nossas misérias passam pelo crivo do humor, da ironia, ou mesmo do sarcasmo. É uma constante em nossas vidas: sejam nas piadas contadas no funeral ou no amor passado que vira motivo de zombaria e gerador de memes.

E quando juntamos o tempo da tragédia e da comédia, o que acontece? Ettore Scola brinca com essa ideia ao dirigir "Feios, Sujos e Malvados". Todos os elementos do filme são deprimentes, degradantes e absolutamente cômicos. Uma reunião difícil, mas que foi orquestrada com maestria.

No enredo, um velhinho pobre vive em um barraco com seus dez filhos, mulher e muitos agregados. Após receber um pequeno montante de indenização do serviço, vive com medo de ser assaltado pelos próprios parentes e dorme com a espingarda na mão e o dinheiro escondido. Já vemos desde o princípio, portanto, que o conceito de família é destruído pelo diretor - contudo, ainda que estejamos frente a protagonistas feios, sujos e malvados (no seu sentido mais literal), o humor do filme colore amorosamente os personagens.

Saímos com asco e apaixonados pela atuação de cada uma das figuras presentes no longa. E, além de tudo, é um filme que nos enriquece pelas profundas críticas sociais que realiza. Uma obra que causa estranhamento e nos faz questionar nossa realidade, ao mesmo tempo em que nos diverte, ensina e emociona. 



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