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Juana Inés (série mexicana - 2016)

Juana Inés foi uma das figuras literárias que mais me encantou durante a faculdade, e não tanto por seus escritos (que ainda conheço pouco) quanto por sua biografia revolucionária. Nascida latino-americana no século XVII, conseguiu infringir tabus e convenções para encontrar sempre meios de continuar lendo, escrevendo e estudando. Desde assistir aulas às escondidas, quando era adolescente, até se internar em um convento para poder dedicar-se à leitura, as atitudes de Juana Inés de la Cruz refletem um espírito irreverente e cheio de energia.

A série, produzida por seus conterrâneos, por vezes peca por um excesso de dramaticidade (tão típico das novelas da Televisa, por exemplo). No entanto, considerado o período histórico (dos primeiros flertes com o barroco), por vezes a hipérbole se adequa bem ao discurso social da época. Um dos pontos mais interessantes da produção é o retrato dos cenários - as igrejas suntuosas, o excesso de ouro, as vestimentas incompatíveis com o clima do país -, que ajuda o espectador a visualizar melhor o período.

Como toda produção de caráter biográfico, merece ser vista com cuidado - e com posteriores comparações de dados e fatos, já que não está explícito o que é ficção, o que é realidade e o que é versão sobre a vida da escritora. 

Por ser uma das figuras mais polêmicas da literatura latino-americana, há diversas interpretações sobre os seus atos ao longo da vida. Com poucos episódios, o que a série da Netflix faz é oferecer apenas uma das versões possíveis sobre essa história - pintando Juana Inés com tons exageradamente feministas, o que talvez possa ser um pouco anacrônico, ainda que reconfortante para quem a assiste. Afinal, bons modelos são sempre inspiradores, não importa de que século venham.



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