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Outros jeitos de usar a boca (Rupi Kaur)

Poesia pode ser best-seller? O livro da poeta canadense (de família indiana) Rupi Kaur demonstra que sim - afinal, foram mais de 40 semanas na lista dos mais vendidos, e isso apenas no EUA. No entanto, dado o inusitado da situação, fica a pergunta: o que fez este conjunto de poemas tão diferente de seus pares, a ponto de atingir tal popularidade?

Em uma análise breve, poderíamos considerar a globalidade do discurso de Kaur: entre indiana e canadense, Ocidente e Oriente, elitizada e popular. Com braços de polvo, que englobam diferentes culturas, discursos, apelos, sua poesia dá voz a muitos - ao contrário, talvez, da poesia tradicional, centrada na voz de um eu lírico que nem sempre compartilha seu discurso com o leitor (muitas vezes, apenas o quer como espectador).

Outro ponto que torna os poemas mais acessíveis é a linguagem, que carrega a síntese e a intensidade do gênero poesia mesclados a algo novo. Não se trata apenas do coloquialismo; é um despojamento pleno, que, muitas vezes, recorda memes de internet. Assim, nem sempre a qualidade se mantém ao longo dos versos - alguns poemas são triviais demais, de fraco impacto. No entanto, de forma geral, o que Rupi Kaur consegue elaborar com poucos elementos, se não é perfeito, é surpreendente.


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