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Limón Blues (Anacristina Rossi)

Há algum tempo comecei um projeto de leitura - para a vida - de tentar descobrir escritoras de diferentes países, para ser apresentada a novas vozes e anseios, escapando do cânone europeu, macho e branco que tanto nos rege. Se, por um lado, a ideia me proporcionou maravilhosas experiências de leitura, por outro me defrontou com um problema: diante de uma ainda rara publicação de literatura de autoria feminina, como ir em busca do que é diverso?

Explico-me: boa parte das minha leituras até agora, principalmente quando focadas em países subdesenvolvidos, conta a história de mulheres refugiadas. Em nações em que as mulheres não têm voz, o destino parece ser invariavelmente o mesmo. Ainda que isso me faça esbarrar com excelentes obras no meio do caminho (como "Americanah", de Chimamanda), sinto falta de outras possíveis temáticas, de conhecer a força dessas escritoras para além da sua condição de migrantes.

"Limón Blues", de Anacristina Rossi, me proporcionou o que esperava: trata-se de um reconto da história da Costa Rica, com elementos muito específicos da cultura e do modo de ser caribenho. O discurso dos diversos narradores, que tecem suas falas com uma mistura de espanhol e inglês, é uma das características de seu povo abordadas por Anacristina.

O ritmo da trama é bastante frenético e nem sempre a qualidade literária se mantém. Contudo, a amarração de diversas épocas e contextos geopolíticos em um só enredo é um esforço da escritora que merece ser reconhecido.

Mesmo com um enredo ao qual é difícil vincular-se, aliado ao excesso de informações e à velocidade desenfreada da trama, ainda assim é uma obra que merece destaque no panorama da Centro-América. O trabalho de denúncia social da exploração do continente e da condição dos negros e migrantes é cuidadoso, e compensa as eventuais falhas de linguagem que a obra possa apresentar. Não é um livro perfeito, mas é profundo o suficiente - ainda mais para uma escritora iniciante.



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