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Sermões de quarta-feira de cinza (Antonio Vieira)

Antonio Vieira foi uma das figuras mais interessantes da nossa história colonial - com discursos polêmicos, chegou a ser encarcerado pela Inquisição; foi queridinho de uma parte da monarquia europeia e odiado pela outra; fez várias viagens por longas distâncias em uma época em que essas travessias eram bastante arriscadas; foi padre, conselheiro, envolveu-se com política e até fez profecias.

Talvez a vida tão agitada venha de uma certeza vieiriana que é dita magistralmente nos três discursos da quarta-feira de cinza: nossa existência é breve; do pó viemos e ao pó retornaremos.

Com uma capacidade de oratória exemplar, Vieira foi um pregador ousado; em um dos sermões listados nesta pequena obra, inicia lembrando aos seus espectadores que o tempo que passa nos aproxima cada vez mais da morte. Assim, aquele que assiste pela segunda vez ao sermão da quarta-feira de cinza não é alguém necessariamente mais sábio; é apenas alguém 1 ano mais próximo do fim.

Quase quatrocentos anos depois, a voz de Vieira ainda retumba - atinge mesmo aqueles que não têm vínculos religiosos ou ligação forte com a retórica. Afinal, como negar a verdade tão simples como a de nossa morte?



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