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O duplo (Dostoiévski)

Segundo livro publicado por Dostoiévski (apenas alguns dias após o lançamento de sua obra de estreia, "Gente pobre"), "O duplo" conta com uma temática e um estilo de narrar completamente diferentes daqueles que lançaram o autor no mundo literário. Os críticos da época, que receberam muito bem seu primeiro romance, não conseguiram aceitar a transformação súbita que se opera neste livro, tão diferente de tudo o que se havia escrito até então.

Além de retratar o típico homem explorado, funcionário público comum e empobrecido (uma das temáticas da literatura da época), o que Dostoiévski faz de absolutamente inovador é retratar um homem cindido. Assim, mergulha fundo na psicologia humana para criar um enredo tão confuso quanto o seu protagonista. Somos tragados pela profunda dubiedade de Golyádkin, a ponto de não sabermos distinguir os limites dentro da própria ficção.

Permeada de humor, a obra é extremamente irônica em relação a todo o contexto que narra; ninguém escapa das tiradas de sarcasmo do narrador, presentes em cada descrição e fala. Propondo um desafio constante à percepção do leitor, o livro é uma aposta em um modo de narrar inovador. Reverberando ao longo de toda a cultura ocidental (desde Ruth e Raquel até obras profundas em torno da figura do duplo), é um dos livros mais emblemáticos já escritos.



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