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A ditadura perfeita (filme de 2014)

Gabriel García Márquez, escritor colombiano, recusava o título de ícone do Realismo Mágico; para ele, suas obras eram a pura realidade. E para nós, latino-americanos, não é difícil entender o porquê dessa percepção: vivemos constantemente em situações-limite, habitantes de países conduzidos por bárbaros e corrompidos, imersos em um cotidiano de inverossimilhanças.

O excelente filme "A ditadura perfeita" já inicia com um questionamento muito parecido ao de Gabo: "Nesta história todos os nomes são fictícios; os fatos, suspeitamente verdadeiros. Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência". 

Retrato da política mexicana, a obra parece hiperbólica ao princípio - mas essa impressão pouco dura. Aos poucos, vamos reconhecendo muitas das tramoias e jogos de marketing como extremamente possíveis (quando não banais na nossa cultura de corrupção). Assim, o que começa com o exagero da comédia termina com a reflexão da tragédia - só que aqui não há catarse para o espectador.

Exceto pelo panorama de violência, que parece ser mais cru nas regiões retratadas, o longa pode servir perfeitamente para entender o Brasil. É uma obra potente, que diz muito sobre como nos constituímos politicamente de preconceitos, corrupções e desvirtuamentos.



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