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O orgulho (filme de 2017)

Difícil assistir a "O orgulho" e não lembrar de "Pigmaleão" (peça de Bernard Shaw que foi adaptada para o cinema, estrelando Audrey Hepburn). E mais difícil ainda não associá-lo às complicações morais do texto sobre a vendedora de flores. Se, em um livro escrito em 1913, o preconceito e o machismo têm de ser contextualizados, mais difícil é fazê-lo com um longa produzido mais de 1 século depois.

Na trama, uma garota francesa, de ascendência árabe, tem de enfrentar um professor racista logo no primeiro dia de aula. Com o ataque de xenofobia viralizado, o mesmo docente resigna-se a adotar a aluna como sua pupila em em concurso de retórica, com o objetivo de limpar a imagem da instituição em que trabalha.

Assim como adoro "Pigmaleão", também encontrei elementos maravilhosos nesta obra. As discussões sobre retórica e o poder das palavras são o grande mérito da trama, conferindo-lhe certa profundidade. Há aspectos interessantes em relação à abordagem do preconceito - e um deles é, inclusive, mostrar que apenas a vítima tem o direito de decidir o que fazer com seu agressor. No entanto, o conflito é resolvido de modo um tanto superficial, conduzindo a um final feliz que não convence.




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