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A borboleta amarela (Rubem Braga)

A crônica é o gênero da despretensão, que pode (ou não) alcançar profundos níveis de discussões literárias, filosóficas, sociais pela via da banalidade. Literatura do cotidiano, desliza pelo rés do chão (como já diria Antonio Candido) em que todos caminhamos. Pequenos amores, risíveis frivolidades, desilusões políticas: tudo pode ser motivo para a prosa dos jornais.

Ter em sua própria definição a temporalidade de Cronos faz que o gênero corra o risco de se transformar em um conjunto de textos anacrônicos e desarticulados. Afinal, como se manter atual ao trazer a tona o cotidiano que corresponde a uma época e a um local específico?

Rubem Braga tem a receita - mesmo ser prescritivo em momento algum. Ou talvez justamente aí esteja a fórmula: na falta de certezas irrefutáveis, lições de vida, morais generalizantes. O escritor vai tecendo pequenas provocações poéticas ao longo de seus textos, que encantam mais pelo caminho do que pela finalidade. Assim como na crônica que intitula esta coletânea ("A borboleta amarela"), a atenção do leitor revoa pela cidade, seus problemas e suas alegrias. Nada mais simples do que seguir o percurso de uma borboleta amarela, sem saber onde se irá parar: "Caminante, no hay camino, se hace el camino al andar".



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