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Interestelar (filme de 2014)

Ao reassistir ao filme meia década após seu lançamento, tive a sensação de enfim compreendê-lo com mais profundidade. Há cinco anos, a proposta da trama tinha me parecido ingênua, já que busca uma explicação sentimental para validar as teorias científicas que coloca em evidência. No entanto, ao ver hoje o quanto a falta de humanidade e o academicismo geraram consequências funestas no campo da ciência, tenho de me render à capacidade de visionário do diretor.

Uma das cenas iniciais da obra é a da filha do protagonista sendo recriminada na escola por acreditar que o homem, de fato, pisou na Lua. Em outra parte do filme, vemos cientistas tendo de se esconder em um galpão em busca de soluções para a evidente catástrofe ambiental - afinal, para a população investir em ciência é um desperdício de dinheiro. Como não relacionar essas prévias ao culto da ignorância que vemos em nossos dias?

A forte relação entre a ciência e a literatura é outro dos pontos que ficou evidente para mim apenas ao reassistir à obra. Muito mais do que a inserção de um poema como leitmotiv, a todo momento o longa tenta criar conexões entre as áreas do conhecimento: afinal, a ciência que se isola no pedestal universitário tende a ser desprezada pela opinião pública. E, em tempos de campanhas antivacinas e movimentos terraplanistas, sabemos que essa conexão é imprescindível.





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