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Adeus, Gana (Taiye Selasi)

O grande incentivo para Taiye Selasi tornar-se escritora veio de Toni Morrison; no entanto, ao contrário da ficção contestatória desta, a narrativa de Selasi abarca temas que reconfiguram os conceitos de negritude e preconceito no mundo atual.

"Adeus, Gana" é o livro de estreia e, até agora, único romance publicado pela autora. Ainda assim, é uma obra capaz de propor questionamentos profundos e bastante incômodos. O primeiro deles é a questão da nacionalidade. Fruto de uma geração de africanos de classe média, que transitam pelo mundo sem criar raízes, a autora não se define como ganense, nigeriana e nem estadunidense. Sua resposta às questões sobre nacionalidade é: pergunte-me onde estou, não de onde sou.

Assim como sua autora, os personagens do romance transitam por vários países, sem estabelecer vínculos indissolúveis com nenhum deles. E, de certa forma, a trama é um grande questionamento sobre os origens. O mote do romance é a morte do patriarca de uma família, a partir da qual os destinos de seus filhos e ex-esposa (espalhados pelo mundo) voltam a se encontrar.

Gostei principalmente da primeira parte do livro, que é narrada de forma extremamente poética e sabe alternar bem as vozes dos personagens. O bloqueio criativo enfrentado pela autora durante a produção do romance é visível, já que seu desenvolvimento e final não causam o mesmo impacto que o começo. Contudo, não deixa de ser um livro muito bem articulado, dono de linguagem e pensamentos poderosos.


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