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Corpus delicti: um processo (Juli Zeh)

Na busca de livros que ajudassem a pensar o mundo pós-Covid, escolhi esta obra (que já habitava minha estante há um tempo). Se, por um lado, a opção foi adequada em termos de linguagem (é uma escrita bastante fluida, quase de best-seller), por outro não me trouxe muitas novidades. Frente ao nosso cenário distópico atual, é preciso um romance de muito fôlego para ser capaz de tratar temas complexos com o mínimo de verossimilhança.

O mundo retratado pela alemã Juli Zeh é aquele no qual a Ciência venceu. Assim, os seres humanos não são mais definidos em razão de suas crenças ou tipo de pele - mas sim por seu histórico de saúde, que é minuciosamente controlado pelo governo. Não há espaço para doenças e tampouco para opções pessoais que ameacem a sociedade. É um cenário em que o coletivo se sobressai e as paixões individuais são ignoradas.

Se o mote é bom, o mesmo não se aplica ao desenvolvimento do enredo. Diálogos fracos, personagens pouco elaboradas e uma trama confusa fazem que o livro seja apenas mediano. 


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