Apesar de ter demorado mais de duas décadas para finalmente assistir a Matrix, tive a vantagem de poder entender o porquê de o filme ser considerado um clássico – afinal, ele resistiu bem à passagem do tempo. Com exceção dos computadores de tubo, o restante das explicações tecnológicas que a história apresenta continuam verossímeis, considerando o contexto da ficção científica.
Um dos pontos que mais me pareceu atual foi o trabalho com a diversidade. Muito antes de algumas pautas étnicas e feministas ressurgirem com força, já havia a preocupação de colocar vários personagens negros em posição de destaque, além de uma protagonista típica do lema #fightlikeagirl.
Ainda que as cenas de luta tenham me cansado um pouco, o fato de terem uma motivação forte atrelada ao cerne do enredo foi o suficiente para me fazer gostar deste primeiro filme, mas não a ponto de me aguçar a ver as continuações feitas até agora.
O personagem de cabelo azul já ganhou apelidos que o aproximam dos famosos Calvin e Mafalda. No entanto, o toque brasileiro é que faz a diferença e aproxima Armandinho de seus leitores. O garotinho, que não gosta muito da escola, mostra que a sabedoria vai muito além dos bancos da sala de aula. Desde questões políticas específicas - do Brasil ou de Santa Catarina - até piadas simples sobre assuntos cotidianos, a força das suas tirinhas reside também na versatilidade. O ponto de vista infantil nos serve de guia nesses quadrinhos, nos quais os adultos aparecem sempre retratados sob o viés da criança. Para comprovar esse fato, basta observar o traço: assim como na clássica animação dos Muppets, apenas as pernas dos personagens mais velhos são desenhadas. Se a semelhança com Mafalda está no aspecto irreverente (e nos cabelos que são marca registrada), com Calvin o parentesco vai além: em muitas das tirinhas, Armandinho aparece com seu bicho de estimação (um sapo que, inclusi...

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