Uma característica que costuma aparecer nos filmes franceses de que gosto é o narrador literário, que narra com beleza e uma pontada de ironia as cenas que se desenrolam ao longo da narrativa (vide Amélie Poulain). Em "Kennedy e eu", a narração do princípio parece nos situar diante de uma voz inteligente e perspicaz... quando, em verdade, estamos diante de um narrador-protagonista bastante detestável e supostamente niilista.
Ao longo da trama, tive uma identificação mais forte com os personagens otimistas (que são zombados pelo protagonista) do que pelo papel principal. Além disso, a história que gira em torno da figura de Kennedy é apenas mais um gancho para a loucura do personagem, sem nenhum impacto maior na narrativa. Assim, se nem o título do filme parece coerente com a sua proposta... quem dirá o resto.
Esse é um daqueles livros que de tão recomendados, citados, comentados, já parecem ter sido lidos antes mesmo da primeira virada de página. Tinha uma visão consolidada de que o tema desta obra eram os conselhos que um escritor pode passar a outro - e não imaginava que, antes de tudo, essas cartas são uma espécie de manual para a vida. Tão necessário, aliás. Rilke se ancora na literatura, mas passeia por caminhos diversos: a solidão, a escolha da mulher, as amizades, os valores morais de cada um... Como um mestre frente a seu discípulo, o escritor o guia pela mão através do mundo. Nem sempre os seus ensinamentos são indiscutíveis. Há material que sobra, existem conselhos deixados de fora. Mas, superando seus pequenos deslizes como filósofo, Rilke se apoia na força das palavras. Seu discurso é uma torrente que nos leva, com um vigor romântico contagiante. Trechos: Uma única coisa é necessária: a solidão. A grande solidão interior. Ir dentro de si e não encontrar ninguém durante h...

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