"O feminismo não é um estilo de vida, mas um projeto de ação política revolucionária": essa foi uma das tantas frases anotadas na leitura de Feminismo e política. Apesar de se declarar uma introdução ao tema, é um livro que vale a pena ler com a caderneta de apontamentos ao lado — ou pelo menos assim o foi para mim, que ainda tenho tanto a aprender sobre o assunto.
O fato de ser uma introdução não significa que seja uma obra didática ou não argumentativa. Os autores são bem claros ao levantar críticas a outros teóricos e correntes, como Simone de Beauvoir e Judith Butler. Além disso, fica muito explícita durante a leitura a necessidade de um feminismo pautado por reivindicações sociais justas (e não apenas pelo consumo neoliberal).
Muitos dos temas levantados não nos levam a um consenso, como a questão da pornografia e da prostituição. De fato, chega a ser chocante ver que algumas das críticas feministas (como a subjugação das mulheres na indústria pornográfica) podem se alinhar a valores da direita religiosa. Assim, o que a obra nos traz é um panorama crítico, sem medo de revelar as falhas e controvérsias dentro do(s) próprio(s) feminismo(s).
Esse é um daqueles livros que de tão recomendados, citados, comentados, já parecem ter sido lidos antes mesmo da primeira virada de página. Tinha uma visão consolidada de que o tema desta obra eram os conselhos que um escritor pode passar a outro - e não imaginava que, antes de tudo, essas cartas são uma espécie de manual para a vida. Tão necessário, aliás. Rilke se ancora na literatura, mas passeia por caminhos diversos: a solidão, a escolha da mulher, as amizades, os valores morais de cada um... Como um mestre frente a seu discípulo, o escritor o guia pela mão através do mundo. Nem sempre os seus ensinamentos são indiscutíveis. Há material que sobra, existem conselhos deixados de fora. Mas, superando seus pequenos deslizes como filósofo, Rilke se apoia na força das palavras. Seu discurso é uma torrente que nos leva, com um vigor romântico contagiante. Trechos: Uma única coisa é necessária: a solidão. A grande solidão interior. Ir dentro de si e não encontrar ninguém durante h...

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