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Histórias do mundo para as crianças (Monteiro Lobato)

O sítio do picapau amarelo e o mundo do mágico de Oz foram as sagas que marcaram minha infância — muito mais que Harry Potter, que nunca estava disponível na Biblioteca Municipal e que só consegui terminar de ler na faculdade. 

Quando vejo, hoje, a quantidade enorme de preconceitos bastante explícitos na obra de Lobato, mal posso me convencer de que todos eles foram tomados de maneira acrítica quando era criança. Longe de serem sutis, o racismo e a eugenia propagadas pelo escritor são ululantes.

Na sua versão da História do mundo para as crianças, o que não falta é enviesamento histórico para defender teses colonialistas e conservadoras. A personagem que mais surpreende neste volume das aventuras do sítio é Narizinho, que a todo momento questiona Dona Benta sobre as injustiças e machismos que nos cercam. 

Se tão pouco se salva, por que ainda leio Lobato? Porque quero resgatar o caminho que me formou como leitora, observando com mais cuidado todos os buracos no meio dessa estrada. Ainda que doloroso, é sempre um processo de alguma nostalgia.



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