Minha primeira tentativa com este livro não foi duradoura – depois de ler algumas páginas, acabei deixando a obra esquecida nos desvãos da estante. Não me lembro o que me afastou da escrita de Sagan naquele momento, que sequer é longínquo; no entanto, não foi necessário que muito tempo se passasse para que boa parte de suas previsões políticas e científicas se confirmassem e eu tivesse de abaixar a cabeça, com a vergonha de não haver entendido suas afirmações com rapidez.
Com um certo ar de Nostradamus moderno, Sagan antecipa muitos dos dilemas em que nos enroscamos hoje. Ainda que fale prioritariamente do espaço sideral, tudo acaba reverberando em política. E aí podemos perceber sua visão apurada, que indicava o problema das fake news quando ainda se resumiam a poucos tabloides vendidos em bancas de jornal.
Alguns trechos do livro são um tanto datados – como a análise de muitos e muitos relatos de quem acreditava ter sido abduzido, mas isso não invalida o texto. Comparados com os crocodilianos modernos, os devaneios sobre UFOs parecem até mais sensatos.
Esse é um daqueles livros que de tão recomendados, citados, comentados, já parecem ter sido lidos antes mesmo da primeira virada de página. Tinha uma visão consolidada de que o tema desta obra eram os conselhos que um escritor pode passar a outro - e não imaginava que, antes de tudo, essas cartas são uma espécie de manual para a vida. Tão necessário, aliás. Rilke se ancora na literatura, mas passeia por caminhos diversos: a solidão, a escolha da mulher, as amizades, os valores morais de cada um... Como um mestre frente a seu discípulo, o escritor o guia pela mão através do mundo. Nem sempre os seus ensinamentos são indiscutíveis. Há material que sobra, existem conselhos deixados de fora. Mas, superando seus pequenos deslizes como filósofo, Rilke se apoia na força das palavras. Seu discurso é uma torrente que nos leva, com um vigor romântico contagiante. Trechos: Uma única coisa é necessária: a solidão. A grande solidão interior. Ir dentro de si e não encontrar ninguém durante h...

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