Não foram nem 10 páginas de leitura antes de me deparar com um texto extremamente preconceituoso contra os imigrantes chineses na capital argentina. O autor usa a desculpa de apresentar um lado B de Buenos Aires para falar mal de toda espécie de progressismo na política. Só depois que associei o nome ao boi (já que se trata de gado): além de colunista da Veja, foi coautor da série História politicamente incorreta, que é outro lixo. Li para passar raiva.
Esse é um daqueles livros que de tão recomendados, citados, comentados, já parecem ter sido lidos antes mesmo da primeira virada de página. Tinha uma visão consolidada de que o tema desta obra eram os conselhos que um escritor pode passar a outro - e não imaginava que, antes de tudo, essas cartas são uma espécie de manual para a vida. Tão necessário, aliás. Rilke se ancora na literatura, mas passeia por caminhos diversos: a solidão, a escolha da mulher, as amizades, os valores morais de cada um... Como um mestre frente a seu discípulo, o escritor o guia pela mão através do mundo. Nem sempre os seus ensinamentos são indiscutíveis. Há material que sobra, existem conselhos deixados de fora. Mas, superando seus pequenos deslizes como filósofo, Rilke se apoia na força das palavras. Seu discurso é uma torrente que nos leva, com um vigor romântico contagiante. Trechos: Uma única coisa é necessária: a solidão. A grande solidão interior. Ir dentro de si e não encontrar ninguém durante h...
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