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Florbela (filme de 2012)

Florbela Espanca é uma das minhas poetas preferidas - autora do começo do século XX, é dona de uma poética provocante (ainda mais se pensarmos o que significava ser mulher e escritora nessa época). Um filme sobre a escritora seria uma homenagem mais que merecida - no entanto, há tempos não via algo tão ruim nas telas. Como diria nosso poeta Bandeira, é a vida que poderia ter sido - e não foi. Tudo o que Florbela representou em vida foi estragado, após a sua morte, nesta obra pífia. Feminismo O amor dum homem? - Terra tão pisada!  Gota de chuva ao vento baloiçada...  Um homem? - Quando eu sonho o amor dum deus!...  Como pode ser visto nos versos acima, Florbela, apesar dos muitos versos românticos escritos, sabe questionar o amor platônico como ninguém. Sua coragem, zombaria em relação ao sexo oposto é interpretado, no filme, por meio de uma personagem rasa. Feminismo é superficialmente visto como lesbianismo, adultério e amigos intelectuais boêmios. O foco da obra...

Notas de viaje - Diario en motocicleta (Che Guevara)

Quem assistiu - e se apaixonou - por Diários de Motocicleta, filme dirigido por Walter Salles, não vai se decepcionar com esta obra. Ainda que a imagem do Che guerrilheiro esteja gravada no imaginário comum, quem se apresenta aqui ainda é o Che sonhador - menino, aventureiro, desbravador. Para aqueles que veem na figura do argentino um herói inquestionável, o livro é uma boa pedida para conhecer de onde veio a fagulha que acendeu em Ernesto Guevara a decisão de lutar por uma América Latina não mais submissa. La Poderosa, veículo da viagem Por outro lado, aqueles que creem que Che é mais uma farsa, a obra também vai agradar. Afinal, aqui ainda não estamos diante da figura controvertida, polêmica, endeusada pelos esquerdistas e odiada pelos reacionários, da qual tão pouco sabemos de fato.  O formato do diário nos dá acesso limitado às informações da viagem. Nem tudo é claramente explicado ao leitor, que tem de se valer da própria capacidade interpretativa para preencher a...

3096 dias (Natascha Kampusch)

Confesso que comecei a leitura de 3096 dias mais pelo interesse - mórbido - que este tipo de tema gera do que procurando qualidades de escrita notáveis. No entanto, se há algo em que este livro se destaca é pela astuta análise psicológica que sua autora faz de si própria e de seu sequestrador. Talvez por ter feito um intenso trabalho de terapia, para recuperar-se dos oito anos mantida em cativeiro, Natascha Kampusch tem uma visão arrebatadora das circunstâncias a que foi submetida. O livro não se detém apenas nos anos do sequestro; a jovem autora traça todo o panorama da sua infância, buscando quais características lhe deram forças para sobreviver aos longos anos presa em um cubículo. É uma análise bastante fria do meio em que viveu - seja em casa, seja no cativeiro - mas, justamente por isso, bastante intrigante e reveladora. Eu já estava tão profundamente confinada que o cativeiro também se encontrava dentro de mim. Criar histórias com meus personagens, que eu equipava com ...

Livre (Cheryl Strayed)

O que me interessou neste livro, com capa de autoajuda ("Uma história de superação") foi apenas seu tema: uma viagem no estilo mochileira que se tornou tão famosa a ponto de virar filme neste ano, com Reese Witherspoon no papel principal. Iniciei a leitura por curiosidade, mas pronta para largar o livro no primeiro capítulo, caso ele se mostrasse uma história mal construída. No entanto, best sellers podem sim esconder um conteúdo maravilhoso, com uma trama bem articulada e enredo cativante. Assim que iniciei a leitura de "Livre", me senti presa à história, que vai muito além da descrição da longa caminhada pela Pacific Crest Trail.  A autora, antes de nos apresentar sua jornada, explica os motivos que a levaram a caminhar por três meses sozinha ao longo de florestas, campos, neve, desertos. A análise madura que faz de sua própria vida, focando o vazio que causou a perda de sua mãe, é comovente. Suas dificuldades imensas ao longo da trilha (uma mochila que mal ...

A gramática do amor (Rocío Carmona)

Este é um daqueles livros que me caiu na mão, sem que eu soubesse nada sobre seu autor ou conteúdo. Fui atraída pela capa, que me deu a entender que se tratava de um romance infanto-juvenil, e pela palavra "gramática" ostentada no título. Com curiosidade de professora comecei a leitura, pensando que se tratava de um daqueles livros paradidáticos que poderíamos recomendar aos nossos alunos. Com o que não contava é que "A gramática do amor" é um best-seller, com linguagem e tema característicos do gênero. Toda a história gira em torno de uma garota de 16 anos que sofre uma decepção amorosa e passa a ter aulas de "gramática do amor" com um professor de gramática inglesa. O mote é bem bobinho, mas os livros indicados pelo docente à garota são fenomenais, assim como os trechos selecionados. Seria uma boa obra  para indicar a alunos de Ensino Médio (linguagem fácil, intertextualidades interessantes), não fossem as referências a sexo e drogas que deixariam os...

Beginnings (Anne Geddes)

O conceito da obra é simples: relacionar imagens de bebês e grávidas a símbolos de fertilidade da natureza: botões, bulbos, ovos, ninhos... E, através da simplicidade, a fotógrafa consegue um excelente resultado: imagens que transmitem beleza e poesia. Nota: 8,5

Siddharta (Hermann Hesse)

Há inúmeras versões para a história de Buda, assim como o próprio Buda não é um só. Hermann Hesse aproveita este conceito para recriar a biografia de Sidharta à sua maneira, buscando por si próprio o conceito de espiritualidade que seria capaz de nos levar ao nirvana. Apesar de bem redatado, o livro não me convenceu. Ainda que não esperasse a figura de um Buda sem pecados, boa parte da vida do personagem não traz nenhum elemento da santidade ou da espiritualidade elevada que tanto buscamos. Por mais que o próprio conceito do budismo reforce a transcendência do cotidiano, a obra me pareceu muito corriqueira, afastada de conceitos mais profundos. Nota: 6,5 Trechos: "La verdadera profesión del hombre es encontrar el camino hacia sí mismo." "En ese momento sentía más profundamente que nunca el carácter indestrutible de toda la vida, de la eternidad en cada instante (...) "