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Heredarás un mar que no conoces y lenguas que no sabes (Alfonso Barrera Valverde)

Comprado nas minhas passagens pelas bandas do Equador, este livro foi meu ingresso no universo literário deste país. E pela força do título (Herdarás um  mar que não conheces e línguas que não sabes) pressupõe-se a qualidade da obra. O romance (novela?) retrata a história de três filhos de uma senhora de vida humilde, na periferia de Quito. O narrador é um viajante sem rotas definidas, que instala-se, como hóspede, na vila da matriarca, e acompanha o desenrolar das tramas familiares. A linguagem utilizada é forte, por vezes de difícil compreensão. mas casa com a história, que não segue um ritmo linear e nem se compraz em acompanhar a vida de um só protagonista. Construída como uma grande alegoria da vida equatoriana, é uma boa apresentação ao país.

A primeira luz da manhã (Thrity Umrigar)

Comecei 2014 com a proposta de ler e adquirir mais livros fora do cânone ocidental-branco-católico-masculino. E que surpresa boa ando tendo com as escritoras de outras culturas, idiomas e modos de pensar! Thrity Umrigar é uma autora indiana já bastante reconhecida, com boa parte de sua obra traduzida ao português. Sua biografia "A primeira luz da manhã" é um retrato das diversas facetas do quase-continente Índia. A pluralidade de regiões, pessoas, meios de vida é descrita de forma bastante interessante, atraindo o leitor para o seu país natal. As referências culturais de Umrigar são bastante destacadas ao longo da obra, permitindo uma compreensão maior do seu conjunto literário. Ainda que sejam raras as biografias boas de autores jovens, este é um caso em que se pode apostar. Trechos: Pela primeira vez, entendo vagamente o vínculo entre amor e responsabilidade. Somos responsáveis por aqueles momentos que amamos, percebo, e, se abdicamos dessa responsabilidade,...

O mesmo amor, a mesma chuva (Filme de 1999)

Com Ricardo Darín no papel de um escritor frustrado, o filme desdobra momentos políticos importantes na história da Argentina, como a ditadura, a guerra das Malvinas e o momento de retomada da democracia.  Conforme atravessam os períodos históricos, os personagens vão revelando as intenções verdadeiras por trás de seus atos, transformando-se de acordo com as levas políticas. O ponto forte da obra é revelar a fragilidade da ética dos personagens. A história de amor que serve de pano de fundo às transformações políticas é muito fraca, e parece não conectar-se bem ao restante da história. É um filme para conhecer um pouco mais da história da Argentina e da filmografia de Ricardo Darín.

O livro de ouro de Hagar o horrível (Dik Browne)

Uma edição caprichada, com tirinhas coloridas e agrupadas por tema. Os personagens principais do núcleo familiar e profissional do viking beberrão são apresentados aos leitores ainda não familiarizados com as aventuras do protagonista. Assim, é um bom livro para principiantes no universo do viking mais atrapalhado das histórias em quadrinhos.

Mão na lata e berro d´água

Ensaio de fotografias feito por alunos de um centro comunitário - jovens que, sem a oportunidade do estudo, talvez tivessem se convertido em novos capitães da areia. Algumas das fotos, realizadas com a técnica artesanal do pinhole, são de uma poética excepcional. Pode-se argumentar que nem todas os retratos têm qualidade. No entanto, são todos eles fruto de um trabalho de conscientização com adolescentes, por meio do qual ressignifica-se a própria vida. Leitura (por meio da novela A morte de Quincas Berro D´água) e expressão artística unem as forças para mudar o olhar desses jovens. Para quem viu o filme "Nascidos em bordéis", fica a dica da intertextualidade. Para quem não viu, aproveite para assisti-lo logo após a leitura deste livro, pois ambas as obras falam da transformação que a fotografia pode trazer.

Matilda (Roald Dahl)

Um daqueles casos clássicos em que o livro é muito melhor do que o filme. "Matilda", para mim, sempre foi sinônimo das (muitas) aulas vagas no Ensino Fundamental de escola pública, em que a solução era acumular as crianças na sala de vídeo para assistir a um filme que critica o sistema tradicional de ensino. Ao descobrir que o autor deste livro era o mesmo do que escreveu o politicamente incorreto Fantástica Fábrica de Chocolate, decidi dar uma chance à obra. E não houve arrependimentos, uma vez que o romance infantil traz elementos que aprovo: crítica à escola ditatorial, olhar questionador em relação àqueles que põe os negócios acima de tudo, e crianças que têm atitudes polêmicas. É um daqueles livros de colocar os cabelos dos pais em pé, questionando-se qual a probabilidade de seus filhos virarem tão sapecas quanto a protagonista. No entanto, representa muito bem a realidade dos pequenos, que merecem sim ter o seu momento de atazanar os adultos que não os compr...

Lino (André Neves)

A história de um porquinho de pelúcia separado de sua companheira é indicada para crianças muito pequenas, que não possam perceber a falta de qualidade do enredo. No entanto, as ilustrações da obra são realmente incríveis.